Índice

Sponsors

cic flint kodak3

logo-atdl

Asociación Técnica de Diarios Latinoamericanos

Índice

Boletín Semanal diciembre 12, 2019

Diretor de Receitas do Consumidor e Publicações do jornal britânico, Richard Furness revelou as estratégias para conquistar assinantes e doadores e transformar um prejuízo de 83 milhões de libras em 2015 para um lucro de 1 milhão este ano.

Na abertura do segundo dia do Digital Media Latam 2019, Richard Furness, diretor de Receitas do Consumidor e Publicações do The Guardian, apresentou as mudanças que o veículo adotou para superar o prejuízo de 83 milhões de libras que sofreu quando migrou parte do conteúdo para o universo digital. "Hoje, viramos esse jogo e, em 2019, a receita já é maior que a despesa. E a receita dos leitores é maior que a da publicidade", disse Furness.

O diretor do jornal britânico revelou que o site do The Guardian tem 10 mihões de visitantes únicos por dia no site do The Guardian. "Nós tentamos criar um vínculo com cada usuário para esse público em financiadores do jornalismo independente", disse Furness. Num caminho diferente de muitos veículos, o conteúdo do site é aberto e a maior parte do seu conteúdo gratuito. "Creio que esse é um caminho possível para os jovens de todo o mundo se engajarem com o propósito do The Guardian de democratização do acesso à informação", acrescentou.

Furness disse que conteúdo jornalístico gratuito faz parte dos quatro pilares de estratégia da receita - os outros são entender a relação entre o impresso e as mídias digitais, desenvolver assinaturas digitais para compensar a queda das linhas de receita e otimizar o alcance global a fim de aumentar o apoio financeiro. Em 2015, havia uma concentração de 70% dos apoiadores no Reino Unido e, em 2019, essa mesma porcentagem se inverteu: 70% dos assinantes e doadores vêm de fora do Reino Unido. “Essa parte de apoio global tornou-se a principal fonte de receita”, afirmou o diretor.

Desde que embarcaram na estratégia de investir em assinaturas digitais em 2015, mais 1 milhão de pessoas - 230 mil assinantes, 340 apoiadores regulares e 600 mil doadores individuais - contribuíram com o jornalismo do The Guardian. Além do conteúdo gratuito disponível no site e app do jornal, é oferecido ao leitor um pacote de assinatura diferenciada por um valor de 6 libras por mês, onde é possível por exemplo customizar o layout do site de acordo com as preferências de leitura do consumidor. Além das assinaturas mensais, os contribuintes podem fazer doações para trabalhos jornalísticos específicos até mesmo de forma anônima. 

Richard Furness contou ainda que The Guardian vem fazendo um esforço constante em tornar a comunicação com o leitor transparente, explicando para o público as razões pelais quais necessitam de contribuição financeira ao invés de usar uma linguagem de marketing. Há um laboratório do The Guardian acompanhando o uso dos leitores no site, para ter um conhecimento preciso sobre o que está sendo dialogado e engajado na plataforma. 

Sobre a produção dos jornais impressos, Furness defende um modelo em que a mídia digital e impressa sejam complementares. “Temos uma equipe editorial cuja missão é estender a lucratividade do impresso. Não dá para saber onde investir se houver duas entidades competindo entre si”, afirmou. Ele destacou ainda a decisão comercial do The Guardian em terceirizar a impressão dos produtos do grupo e apontou as vendas do jornal impresso chegam a alcançar 110 mil exemplares por dia.

No painel de discussão sobre as transformações ocorridas no The Guardian que ocorreu após a apresentação de Furness com a mediadora Andiara Petterle, vice-presidente de Desenvolvimento e Operações de Produtos do Grupo RBS, foi debatido o tempo de vida útil que a mídia impressa ainda irá permanecer no mercado. "Nosso desafio é converter o lucro obtido em vendas no varejo em bancas de jornal para assinaturas fixas", explicou Richard Furness.

Apesar do sucesso do The Guardian em fidelizar assinantes e obter lucro significativo no últimos anos, Furness sinaliza que não é seguro encarar esse crescimento como “trabalho pronto”: "Precisamos seguir avançando, interagindo e conhecendo mais nossos leitores e consumidores". A conferência terminou com o diretor apresentando a aposta da empresa em dobrar a base de apoiadores até 2022, ano seguinte da comemoração de 200 anos de existência do veículo.